A técnica da madeira carbonizada

A técnica da madeira carbonizada

A vanguarda da tecnologia japonesa sempre atraiu a atenção do mundo. Até aí, nenhuma novidade!

Foi ela a responsável por difundir uma técnica centenária, que consiste na carbonização da madeira para o uso em diversos formatos. Trata-se da Shou Sugi Ban, usada há, pelo menos, trezentos anos.

Também conhecida como Kuyakisugi, é tão simples quanto eficiente para preservação; principalmente das madeiras que ficarão nas fachadas e áreas externas.

Primeiro, com um maçarico, queima-se a superfície da madeira. Em seguida, ela é lixada e lavada para retirar o excesso de carvão. Depois é aplicado na superfície carbonizada o óleo de mogno, cedro ou outro apropriado para hidratação. Uma camada de selante conclui o processo.

Com a exportação da técnica, ela passou a ser utilizada também para madeiras que ficarão em áreas internas ou na fabricação de móveis.

Um dos principais responsáveis pela divulgação desta técnica para o ocidente é o conceituado arquiteto Terubonu Fujiromi.

O primeiro lugar onde se tem notícia do uso da Shou Sugi Ban é a Ilha de Naoshima.

Buscando uma forma de proteger as casas de madeira do desgaste da maresia, os pescadores descobriram que se a queimassem, ficaria mais resistente.

Além disso, acabou-se descobrindo que a carbonização afastava também os insetos, já que o processo queimava o que mais os atraía, o amido. Não se trata de uma das mãos de obras mais baratas, mas o efeito que causa, mistura sobriedade e elegância de maneira rara.

Atualmente, a Ilha de Naoshima é conhecida como ilha das artes, com importantes museus a céu aberto. Há quem diga que ela pode ter sido uma das fontes de inspiração para o Museu de Inhotim, em Minas Gerais.