As características do go, um misto de esporte e jogo intelectual

As peculiaridades e nuances do go, mix de esporte e jogo intelectual

Xadrez, dama, dominó... No Brasil, jogos de tabuleiro são bem populares. E no outro lado do mundo? No Japão, nenhum deles é tão praticado quanto o go, espécie de xadrez oriental. Você já ouviu falar dele? Mais conhecido pelas antigas gerações, o jogo é bastante simples em suas regras, mas requer dos dois adversários uma grande habilidade, e para dominá-lo, diz-se que pode levar a vida toda, pois exige muito raciocínio para se planejar uma estratégia de vitória.

Numa breve explicação, cada jogador recebe 181 pedras na sua cor (preta ou branca) e o objetivo é que elas conquistem o maior território possível no tabuleiro, movimentando-se e ocupando as casas livres, tentando cercar ou capturar as peças do oponente. Essas pedras podem, ainda, terminar numa disposição harmônica se os dois jogarem estiverem em sua melhor forma. A partida acaba quando ambos concordam que não há mais espaço a ser disputado, sendo que as peças do adversário não conseguem avançar.

O jogo tem nomes diferentes em outros países, onde também é popular: na China, chama-se wei-qi (pronuncia-se “uei chi”, que pode ser traduzido como “jogo de peças circundantes”) e na Coreia, baduk.

Ele teve origem na China antiga, quando a população tinha pouca opção de divertimento. De lá, foi para o arquipélago japonês pelas mãos de um monge budista e se espalhou pelas ilhas do país. Posteriormente, o go ganhou profissionalização formando mestres e competidores.

Além do Oriente, o go conquistou espaço a Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, a Associação Brasileira de Go (Abrago) reúne adeptos e conta com uma diretoria executiva, responsável por organizar torneios para a manutenção do jogo e divulgação da modalidade no País.

A prática acontece em espaços como clubes afiliados e universidades, muitas vezes motivada por estudantes de Engenharia. “Pratico o go há muitos anos, e sinto ótimos benefícios para o corpo e a mente. Meus tios japoneses que me ensinaram, e quando tive o primeiro contato foi uma paixão”, explica Sheila Arisawa, que joga desde a infância. Atualmente, como acontece com outros jogos do gênero, é possível encontrar grupos na Internet para disputas on-line, inclusive para iniciantes.

Por ser um jogo de concentração e estratégia, o go atraiu personalidades históricas, como o filósofo Confúcio e o físico Albert Einstein, e até hoje nem mesmo os computadores mais modernos têm capacidade para derrotar os grandes mestres.