Kendô, a arte samurai que tem conquistado cada vez mais brasileiros

Kendô, a arte samurai que tem conquistado cada vez mais brasileiros

Há tempos que as artes marciais orientais atraem pessoas de todas as idades e ganham adeptos em todo o Brasil, sendo que não são raros os casos de atletas que se destacam nas diversas práticas e conquistam títulos para o País. Dentre as diversas modalidades, uma das que mais chamam a atenção é o kendô, considerada como a “arte samurai”.

Mais do que trazer benefícios ao físico, esse estilo zen de vida proporciona o equilíbrio necessário para encarar com tranquilidade os desafios pessoais e profissionais. “A prática esportiva me ajuda a encarar o cotidiano com naturalidade, não deixando se transformar em algo que incomode”, explica o professor de kendô e praticante da arte marcial há 15 anos, Roberto Toshio. Segundo ele, “a disciplina alcançada com a concentração me torna uma pessoa mais equilibrada”.


A arte samurai é um excelente método para condicionar o corpo, tem diversos requisitos que são benéficos aos praticantes. O kendô pode ser praticado por homens, mulheres, crianças, além de ser também indicado para deficientes físicos, como os visuais e com mobilidade reduzida – pois melhora a resistência muscular, o equilíbrio e aprimora a coordenação motora. Para as gestantes sem complicações, é necessário acompanhamento médico, já que se trata de um esporte de intensidade.

A luta se desenvolve com dois oponentes, que se enfrentam com espadas de bambu e vestem uma armadura pesada composta por equipamentos de proteção que vão da cabeça aos pés. Os lutadores tentam atingir três regiões do corpo, a cabeça, braços e lateral do tórax, sendo que o adversário tentará se desviar dos golpes.

A história da técnica está relacionada à espada japonesa (katana), criada provavelmente no norte do Japão, no século 9. Toda a evolução dessa arte marcial ocorreu na era feudal. Só em 1912 que a palavra kendô se estabeleceu, contribuindo para unificar as muitas escolas e divulgar as técnicas transmitidas por gerações, bem como o espírito da espada.

Assim, a arte tradicional foi se modificando para se adaptar à sociedade moderna, inciando o kendô contemporâneo. No Brasil, chegou com os primeiros imigrantes japoneses, em 1908. Há registros de que em 1934 já haviam campeonatos por aqui. “Meus pais me ensinaram a técnica, e hoje penso em repassar ao meu filho, de apenas quatro anos. O quanto antes começar, melhor”, destaca Toshio, que pretende apressar a entrada do futuro praticante.

Atualmente, há mais de mil praticantes espalhados em 42 academias de kendô em todo o País, sendo a maioria no Estado de São Paulo. Existe até uma Confederação Brasileira de Kendo e uma Federação Paulista. Em ambos os lugares, é possível buscar referências sobre escolas e participação em competições e torneios.